
É, eu saí de lá com os sentidos aguçados, com a pele formigando como que inchada, olhos atentos, o faro largo. E não foi por aquele arrepiar, o banho já havia me devolvido ao mundo. É engraçado dizer que enquanto caminhava e sentia a chuva fininha beliscando gelada, achava bonito o céu cinza e a rua tão tola, saltitava (ou era eu?). Sem trocadilhos de imagens ou sentidos, a verdade é que, talvez pela primeira vez (caso não seja foi tão pouco que nem lembro) eu me senti viva e vi prazer nisto de simplesmente estar aqui, vagando com cadernos nos braços, sem um único planejamento para o próximo segundo, mas absolutamente feliz. Senti que a dignidade não é algo que me foge e que posso olhar olhos nos olhos de quem quer que seja. Assim, sou gente, dessas mesmas, humana, mas não quero mais abaixar a cabeça. Pra mim já chega. Se até aqui essas coisas todas não me derrubaram, também não me desqualificaram humana. E sorridente mesmo, gargalhando como uma colegial, eu me senti forte. Eu não desisto, fácil assim não. E você pensando que aquela conversa toda não seria absorvida, preparou uma canja, que desceu dolorida... Mas meu amor, você nem sabe da canção... Nem sabe do que sou capaz. Nem sabe do que sobrevivi. Aproveitando pra dizer que ESTOU VIVA. E que venha o que tiver que vir.
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