A gente também se cansa. Das bobagens implícitas que engolimos diariamente. Das cãibras, dos espasmos, dos delírios, das dores reais que necessitam de nome, mas não tem remédio, então pra quê? E sim, finge que não liga para todas as injustiças, julgamentos, desafetos. Continuar é dureza, engolindo esse choro de gosto amargo, porque, ora, a gente tem que ser feliz. Caso contrário, a gente é ingrato, insensato, estúpido. Como é que não percebemos tanta beleza e docilidade ao nosso redor? Bando de cegos que somos. Essa minha cegueira anda doendo, doendo nos olhos e no peito, porque essa coisa estranha me faz enxergar até demais. Mas pra quê denominar uma angústia que ninguém vai compreender. Não existe mais angústia neste planeta. Daí, a gente se cansa e continua. Sorrindo até, porque não é permitido entristecer. Qualquer sentimento que não seja alegria já não faz sentido pra ninguém. E ficamos nessa obrigação diária, repleta de faltas que, bem calados, esperamos que sejam supridas. Mas a gente se cansa de esperar e vai à luta. E no mundo da alegria ordinária, a gente encontra desilusão e desafeto. E continua do jeito que começou. Talvez o fim seja igual ao começo. Ou quem sabe as minhas irrealidade insensatas sejam resposta de nada. Esse vazio existe mesmo, minha gente. E vejo gente adoidado caindo nesse poço sem fundo inexistente. Estou na borda. Vou me sentar, porque sinceramente estou cansada. A espera de quem não virá. Perdida de mim. Perdida do mundo. Talvez nesse fundo onde arrebentam-se as pessoas é que esteja essa tal felicidade. Mas não conte à ninguém. Ninguém pode saber que falei de um sentimento diferente da norma. Minha falta de sorriso ainda não me denúncia. É apenas cansaço.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Cansaço e solidão
A gente também se cansa. Das bobagens implícitas que engolimos diariamente. Das cãibras, dos espasmos, dos delírios, das dores reais que necessitam de nome, mas não tem remédio, então pra quê? E sim, finge que não liga para todas as injustiças, julgamentos, desafetos. Continuar é dureza, engolindo esse choro de gosto amargo, porque, ora, a gente tem que ser feliz. Caso contrário, a gente é ingrato, insensato, estúpido. Como é que não percebemos tanta beleza e docilidade ao nosso redor? Bando de cegos que somos. Essa minha cegueira anda doendo, doendo nos olhos e no peito, porque essa coisa estranha me faz enxergar até demais. Mas pra quê denominar uma angústia que ninguém vai compreender. Não existe mais angústia neste planeta. Daí, a gente se cansa e continua. Sorrindo até, porque não é permitido entristecer. Qualquer sentimento que não seja alegria já não faz sentido pra ninguém. E ficamos nessa obrigação diária, repleta de faltas que, bem calados, esperamos que sejam supridas. Mas a gente se cansa de esperar e vai à luta. E no mundo da alegria ordinária, a gente encontra desilusão e desafeto. E continua do jeito que começou. Talvez o fim seja igual ao começo. Ou quem sabe as minhas irrealidade insensatas sejam resposta de nada. Esse vazio existe mesmo, minha gente. E vejo gente adoidado caindo nesse poço sem fundo inexistente. Estou na borda. Vou me sentar, porque sinceramente estou cansada. A espera de quem não virá. Perdida de mim. Perdida do mundo. Talvez nesse fundo onde arrebentam-se as pessoas é que esteja essa tal felicidade. Mas não conte à ninguém. Ninguém pode saber que falei de um sentimento diferente da norma. Minha falta de sorriso ainda não me denúncia. É apenas cansaço.
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