terça-feira, 29 de setembro de 2015

Descarga de palavras (melhor que qualquer oração)

As vezes leio tanta bobagem por aqui, tanto politiquismo neocontemporaneamente correto, tanta crença mais barata que um maço de cigarros... Coisa de quem jogou a própria alma na lama... Não sou obrigada a estar por aqui eu sei. Mas é que vim tentar me desligar um pouco de algumas bobagens que andei ouvindo por hoje, de algumas defesas embasadas no politiquismo neocontemporaneamente correto, alguns equívocos sobre mim cercados desses crenças mais baratas que um maço de cigarros...
Eu corro para aonde perante a incompreensão desses fracos onipotentes, escravos nem mesmo de suas próprias dores, ou dúvidas, desconhecedores dos seus próprios desastres. É como que uma crosta de poeira que uma chuva dessas já não leva, já não lava.
Minha mente debocha desses trouxas que me cercam, revesando-se em círculos infinitos de inabilidades inconsequentes, palavras frias, gestos vagos, é tão claro porque ando assim vazia neste mundo de merda, cheio de gente de merda. Gente de merda como eu, que perante um incômodo misto não se atreve a xingar, a dar porrada mesmo, ofender, perfurar os olhos.
Mas, olha o meu cansaço de levantar mais de vinte vezes nos últimos dez segundos, ralada, fudida, sem voz e aos tropeços. Manca, sôfrega, maltrapilha, quase nua. E é esse quase que me arrebenta porque quero ter inteireza em pelo menos algo. Quero ter a grandeza de uma vara de bambu que se sustenta.
As imagens me sobrecarregam de esperança? ES-PE-RAN-ÇA? Estou farta é de mais esse cinismo tolo desenhado, copiado, fotografado, grafado pra uma eternidade de nada. Nada possui substancialidade.
Só sei que em saber nada continuo. E com pulsar de quem vive. Diferente, meus caros, bem diferente de qualquer máquina, ou qualquer alienígena, ou qualquer um, mas qualquer mesmo qualquer.

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