terça-feira, 24 de maio de 2016

Prazer

É engraçado, mas eu havia desistido, não de rir, mas de certos risos. E, talvez brincando de dor sem querer doer e querendo fazer o tempo passar sem querer passar no tempo, depois de um grito acima de todos os meus ruídos, tirei o olhar de cima do meu eu. E a verdade é que quando se pode enxergar o mundo, procuramos novos caminhos e encontramos sorrisos que andavam sorrindo por aí a fora. E no sorriso do outro o próprio sorriso renovado.
Eu já vi seu sorriso no meu várias vezes, sem dar importância pro peso do tempo ou do coração. Porque não existem verdades absolutas para o coração. E nesses risos pequenos, vindos da leveza que há em mim - que saudades que tive de mim! -, digo obrigada.
Pelo começo de algo que nem sei o que é, mas que já é bom. E bonito. E que por enquanto basta. Sem desespero, pequenas alegrias se pronunciam... Se é um convite, aceito. Prazer em conhecê-lo.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Descarga de palavras (melhor que qualquer oração)

As vezes leio tanta bobagem por aqui, tanto politiquismo neocontemporaneamente correto, tanta crença mais barata que um maço de cigarros... Coisa de quem jogou a própria alma na lama... Não sou obrigada a estar por aqui eu sei. Mas é que vim tentar me desligar um pouco de algumas bobagens que andei ouvindo por hoje, de algumas defesas embasadas no politiquismo neocontemporaneamente correto, alguns equívocos sobre mim cercados desses crenças mais baratas que um maço de cigarros...
Eu corro para aonde perante a incompreensão desses fracos onipotentes, escravos nem mesmo de suas próprias dores, ou dúvidas, desconhecedores dos seus próprios desastres. É como que uma crosta de poeira que uma chuva dessas já não leva, já não lava.
Minha mente debocha desses trouxas que me cercam, revesando-se em círculos infinitos de inabilidades inconsequentes, palavras frias, gestos vagos, é tão claro porque ando assim vazia neste mundo de merda, cheio de gente de merda. Gente de merda como eu, que perante um incômodo misto não se atreve a xingar, a dar porrada mesmo, ofender, perfurar os olhos.
Mas, olha o meu cansaço de levantar mais de vinte vezes nos últimos dez segundos, ralada, fudida, sem voz e aos tropeços. Manca, sôfrega, maltrapilha, quase nua. E é esse quase que me arrebenta porque quero ter inteireza em pelo menos algo. Quero ter a grandeza de uma vara de bambu que se sustenta.
As imagens me sobrecarregam de esperança? ES-PE-RAN-ÇA? Estou farta é de mais esse cinismo tolo desenhado, copiado, fotografado, grafado pra uma eternidade de nada. Nada possui substancialidade.
Só sei que em saber nada continuo. E com pulsar de quem vive. Diferente, meus caros, bem diferente de qualquer máquina, ou qualquer alienígena, ou qualquer um, mas qualquer mesmo qualquer.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cansaço e solidão

A gente também se cansa. Das bobagens implícitas que engolimos diariamente. Das cãibras, dos espasmos, dos delírios, das dores reais que necessitam de nome, mas não tem remédio, então pra quê? E sim, finge que não liga para todas as injustiças, julgamentos, desafetos. Continuar é dureza, engolindo esse choro de gosto amargo, porque, ora, a gente tem que ser feliz. Caso contrário, a gente é ingrato, insensato, estúpido. Como é que não percebemos tanta beleza e docilidade ao nosso redor? Bando de cegos que somos. Essa minha cegueira anda doendo, doendo nos olhos e no peito, porque essa coisa estranha me faz enxergar até demais. Mas pra quê denominar uma angústia que ninguém vai compreender. Não existe mais angústia neste planeta. Daí, a gente se cansa e continua. Sorrindo até, porque não é permitido entristecer. Qualquer sentimento que não seja alegria já não faz sentido pra ninguém. E ficamos nessa obrigação diária, repleta de faltas que, bem calados, esperamos que sejam supridas. Mas a gente se cansa de esperar e vai à luta. E no mundo da alegria ordinária, a gente encontra desilusão e desafeto. E continua do jeito que começou. Talvez o fim seja igual ao começo. Ou quem sabe as minhas irrealidade insensatas sejam resposta de nada. Esse vazio existe mesmo, minha gente. E vejo gente adoidado caindo nesse poço sem fundo inexistente. Estou na borda. Vou me sentar, porque sinceramente estou cansada. A espera de quem não virá. Perdida de mim. Perdida do mundo. Talvez nesse fundo onde arrebentam-se as pessoas é que esteja essa tal felicidade. Mas não conte à ninguém. Ninguém pode saber que falei de um sentimento diferente da norma. Minha falta de sorriso ainda não me denúncia. É apenas cansaço.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Olá vida. Cheguei e pretendo ficar.

Aos 14 anos, minha mente adoecida transformou um talento que poderia ter sido leve e doce em um grande problema. É claro que meu mundo externo contribuiu para que eu não conseguisse enxergar o meu redor, e pior, a mim mesma. Fui definhando-me numa tristeza grande que mal cabia em mim. Como não havia quem me ensinasse a olhar com mais carinho para o meu interior, fui transformando meus pesares em dores físicas reais. E buscando a cura das dores, fui orientada a abandonar minha paixão. Dores e mais dores. Mas o que venho falar é que neste processo (que me fez desabar ainda mais e depois me reerguer) conheci muitas pessoas. Eu era só uma criança que já não suportava a vida. E aquela mocinha loira, bonita, recém casada e apaixonada, feliz, incomodava-me todas as segundas-feiras. A felicidade dela era incômoda e estranha porque era incompreensível. Ela amava as segundas-feiras, e de certa forma me ensinou a amá-las, tantos anos depois. Não me lembro do nome da moça das segundas-feiras. Mas desejo que esteja tão feliz quanto quando a conheci. Bem vinda segunda. Olá vida. Cheguei e pretendo ficar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Viva (depois daquela canja dolorida)

É, eu saí de lá com os sentidos aguçados, com a pele formigando como que inchada, olhos atentos, o faro largo. E não foi por aquele arrepiar, o banho já havia me devolvido ao mundo. É engraçado dizer que enquanto caminhava e sentia a chuva fininha beliscando gelada, achava bonito o céu cinza e a rua tão tola, saltitava (ou era eu?). Sem trocadilhos de imagens ou sentidos, a verdade é que, talvez pela primeira vez (caso não seja foi tão pouco que nem lembro) eu me senti viva e vi prazer nisto de simplesmente estar aqui, vagando com cadernos nos braços, sem um único planejamento para o próximo segundo, mas absolutamente feliz. Senti que a dignidade não é algo que me foge e que posso olhar olhos nos olhos de quem quer que seja. Assim, sou gente, dessas mesmas, humana, mas não quero mais abaixar a cabeça. Pra mim já chega. Se até aqui essas coisas todas não me derrubaram, também não me desqualificaram humana. E sorridente mesmo, gargalhando como uma colegial, eu me senti forte. Eu não desisto, fácil assim não. E você pensando que aquela conversa toda não seria absorvida, preparou uma canja, que desceu dolorida... Mas meu amor, você nem sabe da canção... Nem sabe do que sou capaz. Nem sabe do que sobrevivi. Aproveitando pra dizer que ESTOU VIVA. E que venha o que tiver que vir.